terça-feira, 31 de julho de 2012

Aquele homem confundia seu orgulho com timidez, e seu medo com orgulho.
Não era mais tímido que orgulhoso.
Não era mais orgulhoso que medroso.
Morreu, e nunca perdeu nada nessa vida.
Nem um grande amor.
Pois nunca o teve.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Vermelho


Paulo e Clarisse namoravam há quatro anos, desde o ensino médio. Agora estavam na faculdade, quando decidiram morar juntos.  O natural seria um futuro casamento, mas agora não dava. Paulo cursava Direito, numa das faculdades mais conceituadas do Rio de Janeiro. Clarisse, Enfermagem, sua frustração, pois sonhava com Medicina, e pensava que qualquer coisa da área de arte teria sido melhor que a atual. Mas a vida é assim, às vezes tomamos atitudes que nem nós mesmos sabemos o porquê.
Naquele tarde, Clarice saiu de casa toda de branco, primeira aula era no laboratório.  Branco, a cor da pureza, da paz, das noivas, dos comprimidos que acalmam, da cocaína. Branco, a cor do mármore da escada que Clarice descera. Branco, branco, branco, branco, branco...

Paulo trabalhando, atendendo telefonemas, enquanto sua namorada atravessava a cidade para estudar.
E quando a primeira aula de Clarice acabou, e tirou aquelas luvas, suas mãos magras e aquelas unhas feias com resquícios de esmalte branco na cor Via Láctea lhe deu uma tremenda aflição. Na segunda parte da aula, enquanto escrevera as anotações, olhava para as unhas que a deixava cada vez mais irritada, começou a ter um mal-estar, e abandonou a aula antes que ela terminasse. Saiu da aula arrancando o esmalte com certa psicose, procurou uma farmácia, comprou algodão e acetona e tirou aquele resto de tinta branca que não enfeitava, e de nada servia em sua unha.

Por algum motivo aquele resto de esmalte em suas unhas despertara alguma insatisfação. Em um daqueles dias que nada faz sentido, coisas sem sentidos começam a fazer algum.
Já fazia alguns minutos e seu ônibus não passava, então Clarice decidiu pegar uma outra linha que a deixava mais distante, era bom que caminhava um pouco, caminhar faz bem nessas horas, e o dia estava fresco. Desceu do ônibus e foi caminhando. De repente passou em frente a um salão de beleza e decidiu entrar, e já que não pode mudar algumas coisas na sua vida, poderia mudar pelo menos o corte de seu cabelo. Pensou chegando em casa e imaginou Paulo elogiando seu novo corte. Clarice amava mesmo Paulo, e em tudo que fazia tinha um pouco dele. E assim  entrou no estabelecimento:
- Boa tarde!  Cumprimentou a recepcionista.
-Boa tarde, tem horário agora para um corte de cabelo? Perguntou Clarice.
-Tem sim! Só aguardar uns 5 minutinhos...
-E pra unha?
-Pé e mão?
-Não, só mão.
-Só um momento, vou dá uma olhada...Tem sim.
-Quanto fica o corte e mão?
-Quarenta e três reais, senhora.
-Ok, vou aguardar ali.

Clarice primeiro cortou o cabelo, aqueles fios a menos lhe deixou mais leve. E então foi fazer as unhas:
-Qual cor, senhora?
- Branco. Não, o que você tem de vermelho aí?
Clarice sempre pintara de cores neutras, branco, principalmente, mas hoje decidiu mudar. Hoje era dia de vermelho.

Enquanto caminhava de volta para sua casa, Clarice viu a última coisa que gostaria de ter visto nessa vida: a traição. Paulo e sua amiga, sua melhor amiga, perto de sua casa, numa ruela, num beijo, num beijo que não parecia o primeiro, mas um beijo que parecia antigo, eterno.
Clarice poderia ter tido qualquer outra atitude, mas saiu andando depressa e foi direto para casa, com uma sensação meio sinestésica. Chegou em casa, e totalmente perdida, como se não conhecesse sua própria casa, colocou a cabeça de baixo da pia e a molhou com água fria - quem sabe a água fria lhe despertasse daquele pesadelo. Não chorou, não gritou, preparou um café bem forte, pouca açúcar, pois estava tudo muito amargo. Sentou-se na cadeira da cozinha e pôs as mãos em cima da mesa e ali ficou esperando por Paulo.

Barulho de chaves, era Paulo, e já com os cabelos secos, Clarice se levantou lentamente, não tinha pressa, e pegou uma faca e saiu ao encontro de Paulo. Foram 7 facadas, 7, e muito vermelho em sua roupa branca.
Desde o momento que Clarice pintou as unhas de vermelho essa foi a sua cor.

sábado, 14 de julho de 2012

Sexo (outras histórias)

Sua boca estava seca,
Sua vagina molhada.
Enquanto a beijava metia.
Ela pausava os beijos para os sussurros de dor.
Sua boca tinha gosto de cigarro (e ele nem fumava).
Mas ele não ligava,
Ia gozar.

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Boquete

Aquilo tinha gosto de você,
E eu não gostei do seu gosto.
Era um gosto sem ritmo,
Que não consegui dançar.


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Homens,
Vocês perdem toda a sua macheza por sexo.

(EN-TEN-DAM-CO-MO-QUI-SER!)

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Grotesco

Um tapa na cara.
Seus dedos afundando em mim,
Quase mão.
Então o pênis,
Penetrava em mim,
Feitos ondas sonoras- só que em outra cavidade.
Sentia seu peso, seu pênis, seu pelo.
Sentia prazer, sentia dor,
Mais dor que os puxões de cabelo.
Chupava meus seios, me dava um beijo,
E logo em seguida um tapa na cara.
E era assim que me amava.





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terça-feira, 10 de julho de 2012

Quando você chora e está chovendo,
Você acha que o céu chora com você?

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Cidade


Abro a janelo.
Dou de cara pro concreto.
Cadê o céu?
A cidade  é cinza.
A cidade é grande.
A cidade tem pernas.
A cidade tem pressa.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Fingir e sorrir (você pode fazer isso por mim?)

Deixe-me, deixe-me, deixe-me.
Deixe-me falar bobagens por esta noite.
Finja que o que eu falo é interessante.

Sorria, enganando-me.
Eu preciso acreditar,
Mesmo que seja mentira.
Eu preciso.

On


Por que o ventilador não leva embora toda essa dor?
Ligue o ventilador pra secar as lágrimas.
É muita ironia esse lençol vermelho com milhares de corações na minha cama,
E eu deitada nele cheia de ódio.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Quando você liga o ventilador, ele leva toda dor embora.



O micro-ondas ( e o machismo moderno)

O marido chega do trabalho::
-Amor, cadê a comida?
A mulher responde:
-Tá na geladeira, faz o prato que eu esquento no micro-ondas.

São os tempos não tão modernos assim!

terça-feira, 3 de julho de 2012

O escárnio irônico

Pare de bobagem!
Você precisa rir um pouco.
Primeiro de você, 
Depois de mim, 
E depois dos outros.

Não tem nenhum problema de rir da vida.
Mas primeiro temos que rir da gente,
E perceber o quanto somos ridículos.
E então, poderemos rir de qualquer um.

Intactos


Não eram mãos, nem pés, nem pernas, nem peitos, nem beijos.
Era apenas o silêncio que nos unia.
E os pensamentos rabiscavam coisas abstratas.
Era meu pensamento, e nosso silêncio.

Era a falta no muito.
O desejo calado,
Que silêncio nos uniu intactos.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Seus olhos eram verdes, verdes de tristeza. Você até sorria, mas seus olhos não.
Segurou meu dedo, não mão, apenas o dedo - eu realmente achei aquele gesto engraçado. Acho que segurou apenas meu dedo com uma intenção de me dominar. E foi assim, largando lentamente, como se quisesse levar aquele pedaço de mim.
Você foi embora, e aquele dedo ficou mais quente. Era a saudade.